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Comando Militar egípcio dissolve Parlamento e suspende

Constituição

Foto: ReutersPolicial grita durante protesto na praça Tahrir, no centro do Cairo

O Comando Militar que assumiu o poder no Egito anunciou neste domingo que dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição do país.

Em um comunicado feito na TV estatal egípcia, a junta militar disse que ficará no poder por seis meses, ou até a realização de eleições.

No pronunciamento, o Comando Militar declarou ainda que irá formar um comitê para elaborar uma nova Constituição, que será depois submetida a um referendo popular.

Um correspondente da BBC no Cairo afirma que, segundo este pronunciamento, as eleições presidenciais egípcias poderiam ocorrer em julho ou agosto, em vez de setembro, como havia sido previamente marcado.

O gabinete de governo do Egito fez neste domingo a sua primeira reunião desde que o presidente Hosni Mubarak deixou o poder, na última sexta-feira.

Os integrantes do gabinete são os mesmos apontados por Mubarak dias antes de renunciar. Eles foram mantidos pelo Comando Militar, que assumiu o poder no país, para que realizem os trabalhos de transição política.

CliqueLeia mais: Manifestantes voltam a praça no Cairo; clima no local é tenso

Tony Blair

O ex-primeiro-ministro britânico e enviado especial do Quarteto (EUA, União Europeia, ONU e Rússia) ao Oriente Médio, Tony Blair, disse em entrevista à BBC que os eventos recentes no Egito são um um fator que pode levar toda a região em direção da democracia.

Blair descreveu o ex-presidente Mubarak como uma “força para a estabilidade na região”, mas disse que a revolta dos egípcios foram uma “oportunidade enorme” para a mudança.

Quanto aos temores relativos ao eventual papel do grupo islãmico Irmandade Muçulmana no governo egípcio, o ex-premiê fez um alerta contra qualquer “histeria”, mas afirmou que a comunidade internacional não deve ser “complacente” com o movimento.

“(A Irmandade Muçulmana) não é o tipo de partido político que você ou eu reconheceríamos”, disse Blair ao jornalista da BBC Andrew Marr.

Praça Tahrir

Milhares de manifestantes se dirigiram neste domingo à praça Tahrir, no centro da capital do Egito, Cairo, para se unir às poucas centenas de pessoas que continuam acampadas no local, a quem o Exército está tentando remover.

O chefe do bureau de Oriente Médio da BBC, Paul Danahar, afirma que há vários dias o clima na praça Tahrir não era tão tenso. Houve diversos casos de empurra-empurra entre manifestantes e militares, que insistem em liberar a praça.

A praça Tahrir foi o principal foco dos protestos populares iniciados no dia 25 de janeiro, pedindo a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak. Na última sexta-feira, depois de quase 20 dias de protestos, Mubarak deixou o poder, após quase 30 anos.

As pessoas que ficaram acampadas na praça dizem que só sairão quando o Comando Militar, que assumiu o poder no lugar de Mubarak, implementar reformas democráticas.

“Nós não queremos quaisquer manifestantes acampados na praça depois de hoje”, disse neste domingo o chefe da polícia militar egípcia, Mohamed Ibrahim Moustafa Ali.

Na manhã deste domingo, centenas de policiais – uma das forças de segurança mais temidas pelos egípcios durante o governo de Mubarak – entrou na praça Tahrir, o que aumentou a tensão no local.

Os policiais cantavam: “é um novo Egito, o povo e a polícia são um só”, semelhante a um grito de ordem bastante popular durante os protestos das últimas semanas no Cairo. A multidão, no entanto, gritou de volta: “vão embora, vão embora”.

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne afirma que os soldados que estão na praça parecem indecisos sobre como reagir ao crescente número de manifestantes que se dirige para a área.

O editor de Oriente Médio da BBC afirma que um grupo bastante consistente de ativistas está localizado em um dos cantos da praça Tahrir, apesar das tentativas do Exército em remover as pessoas.

A grande maioria dos egípcios que havia montado acampamento no local já foi embora. Muitos tiveram a ajuda do exército para desmontar suas barracas. Os veículos já trafegam com normalidade na praça, onde barricadas haviam sido erguidas durante os protestos.

O Exército egípcio começou a retirar as barricadas dos acessos à praça nesse sábado, removendo carros queimados que serviam de barreiras. Além disto, centenas de pessoas fizeram mutirões para limpar o local.

As Forças Armadas mantêm tanques e veículos blindados nas ruas, principalmente em frente aos prédios do governo e de outras instalações importantes.

* Colaborou Tariq Saleh, enviado especial da BBC Brasil ao Cairo

 

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