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CRISE GLOBAL

Maiores economias do mundo divergem quanto às formas de

combate à crise capitalista

Do Correio do Brasil

Por Redação, com agências internacionais – de Paris

Trichet preside o BCEJean-Claude Trichet, presidente do BCE, esteve na reunião

As maiores economias do mundo estavam divididas ao meio sobre como medir desequilíbrios na economia mundial para evitar crises futuras, disse o ministro das Finanças japonês nesta sexta-feira. Falando antes da reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20, Yoshihiko Noda disse não ter certeza de que os países alcançarão qualquer acordo sobre indicadores para avaliar o equilíbrio econômico global.

– É incerto se os países concordarão em todos os indicadores, mas eu acho que um acordo em alguns (indicadores) é possível. A partir das discussões dos grupos de trabalho, eu tenho a impressão de que agora os países estão divididos ao meio sobre suas opiniões – disse Noda a jornalistas.

Em negociações preparatórias na quinta-feira, fontes do G20 disseram que China e Alemanha são contra um indicador de balanças de pagamentos, enquanto Pequim resiste a incluir indicadores sobre taxas de câmbio e reservas cambiais no pacote. O presidente do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, disse que Pequim decidirá por conta própria sobre o ritmo de apreciação do iuan e que não será influenciada pela pressão de outros países.

Nas manhã desta sexta-feira, o Banco Central da China anunciou uma nova elevação do depósito compulsório bancário em 0,5 ponto percentual, a segunda alta deste ano e o oitavo acréscimo oficial desde o começo do ano passado. Em comunicado publicado em seu site, o BC chinês disse que a mudança entra em vigor a partir de 24 de fevereiro. A medida é a mais recente tentativa de Pequim para enxugar o excesso de liquidez da economia. A inflação anual foi de 4,9 por cento em janeiro, abaixo das previsões do mercado, mas ainda marcou uma aceleração diante da taxa de 4,6 por cento registrada em dezembro.

Desequilíbrios

A contenção de desequilíbrios financeiros também preocupa a autoridade alemã, que duvidou de um possível acordo na reunião de dois dias em Paris, dizendo que Berlim quer no mínimo uma lista com cinco indicadores para combater o descompasso econômico que atinge os países capitalistas, desde a eclosão da crise mundial.

– É difícil para nós imaginarmos deixar algo de fora, por exemplo deixar os relacionados a moedas e manter o relacionado a conta corrente – disse a fonte à agência inglesa de notícias Reuters.

Já a ministra francesa de Economia, Christine Lagarde, disse esperar que a primeira reunião ministerial do G20 sob sua presidência aprove uma lista preliminar de indicadores, em um processo de duas etapas que irá gerar diretrizes até o fim do ano para políticas econômicas globais mais coordenadas. As potências emergentes da China e da Índia já elevaram os juros para combater a inflação e reclamam sobre os riscos de que o capital especulativo desestabilize suas economias.

A pressão cresce para que o Banco da Inglaterra seja o próximo a subir os juros, uma vez que a inflação britânica alcançou o dobro da meta do BC. O Banco Central Europeu (BCE) não deve apertar a política monetária até pelo menos o fim do ano e o Federal Reserve continua a injetar dinheiro para estimular a economia através de um programa de US$ 600 bilhões – a provável fonte do aumento das entradas de capital em emergentes.

Commodities

Presidente do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa disse também, nesta sexta-feira, que a política monetária expansionista no mundo desenvolvido está levando capital a economias emergentes e ajudando a inflar os preços de commodities, mas é necessária.

– Os estímulos monetários por países desenvolvidos estão causando ingressos de capital em países emergentes e, em parte, esses são os culpados pela alta dos preços de commodities. Porém, os estímulos monetários em países desenvolvidos são medidas necessárias – afirmou Shirakawa a jornalistas.

Em documento preparado para a reunião do G20, o Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a crise de dívida da zona do euro ainda é uma ameaça à recuperação global, enquanto nações emergentes correm o risco de superaquecer e a alta dos preços de alimentos é um risco inflacionário. Shirakawa, o chairman do Fed, Ben Bernanke, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, o presidente do BC britânico, Mervyn King, e o presidente do BC chinês, Zhou Xiaochuan, falaram durante o evento em Paris. O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, também havia programado uma declaração na conferência organizada pelo grupo de pesquisa Eurofi.

 

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