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Além da qualificação

Marcelo Mariaca
é presidente do conselho da Mariaca.

A falta de qualificação dos profissionais está na ordem do dia e é apontada como a responsável pela escassez de talentos que pode comprometer o crescimento sustentável do país. A realidade é de fato crítica, pois faltam profissionais qualificados em praticamente todos os setores da economia e em todos os níveis hierárquicos.

A situação fica ainda mais dramática se pensarmos um pouco mais além: faltam pessoas para qualificar os profissionais.

Ou seja: se não bastasse a escassez de profissionais para atender às exigências de expansão e modernização das empresas, há falta de professores, treinadores, mentores e instrutores para ensinar.

A questão é complexa porque envolve não apenas a qualificação de profissionais que já estão trabalhando ou tentando ingressar no mercado de trabalho, mas, também, a formação básica daqueles que, por profissão, são responsáveis pela formação de mão de obra.

Exemplo: há um grande déficit de professores de ciências exatas e biológicas, o que compromete a educação e a formação de profissionais de várias áreas. A falta de professores de física, matemática, química e biologia e a deficiência do ensino nessas disciplinas contribuem para afastar os alunos das carreiras ligadas às áreas de exatas e biológicas, extremamente estratégicas para o desenvolvimento do país.

Trocando em miúdos: como formar gerações de excelentes engenheiros, médicos e biotecnólogos e outros profissionais se há carência de bons professores nos ensinos fundamental, médio e superior?

Só para efeito de comparação, o Brasil forma cerca de 38 mil engenheiros por ano, menos da metade do contingente que se gradua na Coréia. Sem falar na disparidade da qualidade dos cursos oferecidos e no fato de que o Brasil não vem aumentando de forma significativa os investimentos para reverter essa situação.

No caso de executivos, a situação é melhor, porque a iniciativa privada não cruza os braços à espera de iniciativas do poder público. Primeiro, as instituições particulares mantém cursos de pós-graduação e MBAs, muitos de boa ou excelente qualidade e antenados com as necessidades do mercado.

As organizações, por sua vez, concedem bolsas para seus profissionais frequentarem esses cursos e algumas fazem parcerias com as instituições de ensino para a formatação de cursos customizados de pós e MBA in company. Outras preferem criar universidades corporativas e há quem envie funcionários para especialização no exterior.

Um trabalho interessante de qualificação é realizado por instituições ligadas a setores econômicos, como a Associação Brasileira de Cimento Portland, mantida pela indústria do cimento.

Desde a década de 1950, a instituição vem qualificando profissionais, principalmente engenheiros, completando sua formação nas universidades no tocante a processos construtivos à base de cimento e a soluções inovadoras praticadas em outros países. A instituições como a ABCP somam-se dezenas de outras, como o chamado sistema “S”.

Agora está na hora de os governos darem uma contribuição mais efetiva para evitar que o crítico se torne trágico.

Fonte: Brasil Econômico.

Marcelo Mariaca 

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