ENFOCANDO NA INFO QUANDO ACONTECE

Menos doídos e menos doidos


Em época de riqueza instantânea, de acúmulo incessante e de crescente salve-se quem puder, lembrei de um trabalho realizado pela UFRGS há alguns anos denominado de Coisas Essencias da Vida.

A universidade organizou um evento inspirado no autor norte-americano Henry Thoreau que em seu livro Walden, publicado em 1854, escreveu: O homem é rico em proporção ao número de coisas que pode dispensar.

A partir da obra e do questionamento de Henry Thoreau, a UFRGS elaborou a frase ‘Coisas essenciais da vida’ para, talvez, despertar indagações sobre o que pode ser considerado essencial na vida de hoje, marcada não só pelo excesso – e pelo desperdício – de tudo que é palpável, como alimentos e objetos, mas também pelo excesso de estímulos e informações. O consumo exacerbado, de um lado, e uma aguda carência, de outro, perceptível também no que se refere aos bens culturais, às produções simbólicas, torna importante a reflexão sobre o estado das coisas no mundo contemporâneo.

Em Walden, o autor conta como viveu totalmente isolado durante dois anos. Ao deixar a cidade afastando-se do convívio social, Thoreau buscava, antes de mais nada, uma radical reflexão sobre o sentido de viver bem a vida. Naquele momento marcado por uma rápida urbanização e industrialização, em que a tensão entre os confortos e os desconfortos do mundo moderno começava a surgir, Thoreau questionava a idéia de que uma vida bem vivida é sinônimo de acúmulo excessivo de bens materiais.

Para o psicanalista Contardo Calligaris, que participou do evento promovido pela UFRGS, o essencial não coincide nunca com o necessário. Se não existisse esse divórcio entre o necessário e o essencial, é claro que nós seríamos muito mais simples, seríamos menos doídos e também menos doidos.

A vida de Henry Thoreau faz lembrar a inesquecível música Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito, gravada em 1972 por Elis Regina e que diz no final o que é essencial para os autores: Meus amigos, meus discos e livros e nada mais.

Fonte: Texto do Museu da UFRGS com participação de Inácio Knapp. Publicado originalmente na Revista Digital em 07/07/2005.

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