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Começa a identificação de 104 vítimas do voo AF 447

Destroços do avião da Air France que operava o voo AF447 que caiu no oceano Atlântico são recuperados em 2009

Destroços do avião da Air France que operava o voo AF447 que caiu no oceano Atlântico são recuperados em 2009 (reuters_tickers)
Com Swissinfo

PARIS (Reuters) – Os restos mortais de 104 vítimas do acidente com o voo AF 447, que fazia o trajeto Rio-Paris, são aguardados na quinta-feira na França, onde terá início um longo processo de identificação, mais de dois anos após a catástrofe ainda não explicada.

As associações das famílias das vítimas francesas e estrangeiras, divididas quanto à oportunidade de “recuperar” os corpos, foram recebidas na quarta-feira pelo secretário de Estado dos Transportes, Thierry Mariani, para serem informadas sobre as investigações mais recentes e as modalidades de identificação.

O navio Ile de Sein, que recolheu os corpos perto da costa brasileira, deve chegar ao porto de Bayonne na manhã da quinta-feira. O navio Lucent, da Alcatel, está levando pedaços do avião, um Airbus A330 da Air France.

As operações de recuperação dos corpos foram concluídas em 3 de junho, depois da descoberta dos destroços da aeronave. Os 104 corpos içados somam-se aos 50 encontrados nos dias seguintes ao acidente, que deixou 228 vítimas de 32 nacionalidades, na madrugada de 31 de maio para 1o de junho de 2009.

Os outros corpos vão continuar nos destroços do avião.

A polícia do transporte aéreo, encarregada da investigação, acredita que a identificação dos 104 corpos ainda é possível, apesar de terem passado tanto tempo a 3.900 metros de profundidade, no fundo do oceano Atlântico.

As peças do Airbus recuperadas serão transportadas para um hangar da Direção Geral de Armamentos em Toulouse. Os corpos serão encaminhados para o instituto médico-legal do hospital de Rangueil, também em Toulouse.

As autópsias serão realizadas sob a direção dos dois magistrados instrutores parisienses Sylvie Zimmermann e Yann Daurelle, encarregados da investigação da catástrofe, pela qual a Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídios involuntários.

O coronel François Daoust, chefe do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Nacional (IRCGN), explicou na rede Europe 1 que a primeira fase da identificação consistirá em criar dossiês “ante mortem” das vítimas, colhendo as informações necessárias junto às famílias (registros médicos, especialmente odontológicos, etc.).

Em seguida, esses dossiês serão comparados, com a ajuda de um software, aos dados “post mortem” recolhidos das vítimas. A identificação será validada por uma comissão de peritos.

As famílias das vítimas estão novamente condenadas a esperar. No Brasil, a identificação dos primeiros 50 corpos levou dois meses.

Graças às caixas-pretas recuperadas em maio, o Escritório de Investigações e Análises (BEA) conseguiu reconstituir o roteiro dos últimos minutos do voo, mas as causas do acidente ainda não foram elucidadas, embora tenha sido confirmado o papel desencadeador de uma pane das sondas Pitot, que medem a velocidade do avião.

O BEA determinou que o aparelho já estava desligado, enquanto os pilotos recebiam informações contraditórias sobre a velocidade, e que caiu por 3,5 minutos antes de afundar no Atlântico.

Esse roteiro deu lugar a interpretações contraditórias por parte da companhia aérea, do fabricante do avião e diversos especialistas.

A Air France insiste no papel preponderante das sondas Pitot, que desencadearam a desconexão do piloto automático e a perda das proteções de pilotagem associadas. O SNPL, principal sindicato de pilotos, também incriminou as sondas Pitot.

Mas alguns pilotos criticam a companhia por não ter adquirido um sistema batizado de Buss (Back Up Speed Scale), que teria permitido recuperar o avião mesmo em caso de pane das sondas. Enquanto isso, especialistas ligados à Airbus destacam a má gestão do desligamento por parte dos pilotos.

(Por Sophie Louet, com reportagem de Claude Canellas em Bordeaux)

 

Reuters

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