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A NOVA ECONOMIA

Clusters estão na base da nova economia 

Com Revista Digital Polo RS


Os clusters, também chamados de arranjos produtivos locais (APLs) – e, num futuro próximo, não apenas locais -, serão a base da economia das megalópoles de todos os continentes. É o que diz a pesquisadora belga Elisabeth Waelbroeck-Rocha, vice-presidente do Bipe (sociedade de estudos e consultoria econômica) e ex-diretora de pesquisa da Standard & Poors DRI na Europa. Ela participou do 6º Congresso Latino-Americano de Clusters (6º Clac), realizado em Ouro Preto (MG). 

As pessoas não querem mais produtos. Querem serviços. O mercado de serviços vai crescer rapidamente, tanto em países desenvolvidos como em países emergentes, e a dimensão ambiental é cada vez mais essencial, afirmou a pesquisadora, durante o 6º Clac. 

Na opinião dela, esse novo mundo representa um desafio para as empresas e também oportunidades de mercado. As empresas devem se antecipar ao consumo. A inovação é um fator-chave para o seu sucesso, crescimento e aumento da competitividade. Num sentido mais amplo, a inovação engloba não só o desenvolvimento de novos produtos, mas também de processos, sejam eles de produção, marketing, comercialização ou distribuição, além da inovação na gestão e organização, disse. 

Segundo a pesquisadora, o consumidor não escolhe mais um sofá. Escolhe os móveis da casa onde vai morar, comer, dormir e ter privacidade. Assim, a mesa da sala de jantar está ligada à sua opção pela pia da cozinha e o armário do quarto, por exemplo. Nesse sentido, deve haver complementaridade entre as empresas que fornecem esses produtos e serviços, embora pertençam a segmentos diferentes. 

Elisabeth Waelbroeck-Rocha disse ainda que as empresas que se integram em um cluster devem se antecipar às tendências de mercado. A pesquisadora deu como exemplo um segmento tradicional, o de automóveis. A propriedade do automóvel não é uma meta. A meta é movimentar-se. Assim, o fabricante de automóveis gera receita não só com a produção do veículo, mas também com o seu desmonte. A montadora aluga o conteúdo do automóvel e o consumidor devolve a matéria-prima. Com isso, o transporte fica mais barato, já que a matéria-prima é cada vez mais escassa e valorizada. O que poderia à primeira vista ser um custo – a desconstrução – pode tornar-se um bom e lucrativo negócio para todos, para a sociedade, afirmou. 

Nesse aspecto, a relação entre a economia e o meio ambiente é cada vez mais estreita. De acordo com a pesquisadora, cedo ou tarde os custos externos ambientais serão internalizados. O dano ambiental vai entrar no preço, afirmou Elizabeth. 

A inovação é um elemento básico para a ampliação do conhecimento que garante o aumento da eficiência das empresas e clusters. Segundo um dos participantes do 6º Clac, o pesquisador alemão Helmut Kergel, subdiretor do Departamento de Cooperação Tecnológica Internacional e Clusters da VDI/VDE-IT (empresa de consultoria da área de tecnologia e inovação), a competitividade dos clusters não é guiada unicamente por empresas individuais. Ela é, em sua opinião, acelerada de modo crescente pelas atividades inovadoras de indústrias como um todo e por suas ramificações, tornando-se um dos elementos-chave das políticas tecnológicas e econômicas nos quatro cantos do mundo. 

O processo de inovação por si gera disseminação de conhecimento, do qual poderão se beneficiar outras empresas para incrementar sua produtividade e capacidade de inovação. Esse efeito, por sua vez, pode criar as condições para um fluxo contínuo de crescimento econômico, do qual a sociedade como um todo se beneficia, afirmou Kergel. O pesquisador explicou que, dessa forma, os formuladores das políticas podem fortalecer as capacidades de seus sistemas local e nacional de inovação, proporcionando as condições estruturais apropriadas. 

Kergel disse ainda que os efeitos da cooperação das redes de empresas e clusters revelam-se por meio da inovação. Para ele, a inovação amplia o uso das competências e dos recursos disponíveis, além de criar maior permeabilidade das cadeias, maior valor agregado dos produtos e serviços, cooperação horizontal entre concorrentes, abertura de novas tecnologias e campos de ciência, transformação dos processos existentes para novos produtos e mercados e, finalmente, o desenvolvimento das regiões. 

A interação entre arranjos produtivos de diferentes segmentos também é fundamental para o desenvolvimento dessas iniciativas. É preciso fazer com que os clusters colaborem entre si, aumentando a competitividade de maneira geral, afirmou o professor norte-americano Christian Ketels, do Instituto de Estratégia e Competitividade da Harvard Business School. 

Segundo o especialista, a importância econômica desses arranjos é comprovada por diversos levantamentos que têm sido feitos no segmento. Estatísticas dos últimos anos mostram que as regiões que têm clusters mais fortes conseguem aumentar o nível de renda da população, disse. 

O professor norte-americano afirmou, ainda, que a disponibilidade de recursos naturais ajuda, mas não é, por si só, suficiente para garantir a sobrevivência das empresas. O especialista cita o caso de tradicionais polos produtivos europeus que estão em vias de desaparecer, pois não conseguem acompanhar a competição global. Os clusters têm que ser sempre inovadores e adaptados às práticas mundiais, declarou Ketels. 

Fonte: Carlos Eduardo Cherem / Valor Econômico

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