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Moda, Modos e Mordaças, por Antonio Brás

Constante

Escutei no rádio há alguns dias atrás que houve uma manifestação sobre a pouca participação de modelos negros no Fashion Week, onde pediam que a atual cota de 10% fosse elevada para 20% na participação de modelos negros e indígenas.

Foi citado durante a manifestação que o Brasil vende uma imagem de pessoas loiras e de olhos azuis para o mundo, em um País onde mais de cinqüenta por cento da população é negra. Aproveito para incluir as palavras: “altas”, “novas” e “anorexas” ao “loiras e de olhos azuis”, já que também somos um povo gordinho em sua grande maioria, de estatura mediana e com percentual de quilometragem de vida já bem avançado.

Eu, como gordinho de peso, constatei que a participação de modelos com sobrepeso também é praticamente nula, por isso acho sinceramente que as modelos gordinhas deveriam ganhar uma cota de igualmente 20%, algo mais do que justo. Isso sem falar das modelos baixinhas, que são praticamente uma raridade (se é que existem de fato no mundo das passarelas), mais 20% para elas, uma pessoa não pode ser discriminada por sua estatura.

Não podemos esquecer as pessoas da terceira idade, que não são valorizadas nestes desfiles, que privilegiam principalmente as jovens modelos. Vamos acabar com isso e exigir uns 20% de cotas para que as pessoas da terceira idade possam desfilar em igualdade de condições. Vamos adicionar mais um mínimo de 20% para os modelos heteros e outros 20% para os modelos gays, pois ambos andam sofrendo preconceitos através de homofobias e heterofobias destiladas por mentes deturpadas.

Acho que assim estaria satisfatório (basta apenas não levarmos em conta que as cotas já ultrapassaram os 100%). Mas isso dependerá de que os canhotos, asiáticos entre outros tantos grupos de nossa sociedade, não queiram uma cota de participação para eles também.

Muitas vezes a moda demonstra ser um dos antros mais excludentes do mundo. Tudo que foge de sua formatação de “beleza” (as aspas duplas são necessárias para ressaltar que nem sempre a beleza ali exposta é algo realmente belo) é relegado ao segundo plano de suas tendências.

A moda amordaça estilos que não seguem seus ditames quase ditatoriais sobre o que é brega e o que é brilhante (se uma mulher andar na rua vestindo algo exoticamente diferente é taxada de brega, mas se for uma estrela da música americana daí é considerada brilhante).

Se a moda para o próximo verão é definida por cores cítricas, todo resto fica sendo considerado como cafona. Ou seja, algo ultrapassado que merece ser imediatamente extirpado dos guarda-roupas das pessoas chiquerrimas, bem como das chiques, das que almejam ser chiques e de todo deplorável e mal vestido resto (no qual eu me incluo) também. Por exemplo, você se obriga a comprar calças manchadas, remendadas, de cintura baixa ou até rasgadas, por total falta de opção, já que as lojas põem para vender o que lhes dizem que é a moda do momento. Se você quiser algo diferente, procure em algum brechó.

O filme “O demônio veste Prada” relata de forma sublime (ou seria subliminar?) toda esta loucura bem ordenada e fascista do mundo da moda. Com modelos que parecem ter saído de uma orgia de inanição permanente, em um banquete composto basicamente por folhas de alface e água mineral sem gás (onde as modelos devem escolher em consumir uma coisa ou outra para não ficarem mais gordas do que aqueles obesos esqueletos expostos nos laboratórios de medicina).

Isso sem falar na moda regional, como aqui no meu País dos pampas. O gaúcho tem o seu próprio estilo de moda, com uma indumentária bem típica, conhecida como Pilcha, e constituída por botas, bombacha, faixa, camisa, colete, lenço no pescoço, etc. Tudo muito vistoso e devidamente escondido por baixo de um pala, que para quem não conhece é meio parecido com um cobertor, cobrindo geralmente o corpo inteiro do gaudério, deixando apenas a cabeça do vivente de fora para ele poder respirar, espirrar e para não amassar o chapéu preso por um barbicacho.

Temos também a moda das tribos urbanas (emos, hippies, góticos, coloridos, metaleiros, executivos, etc, etc, etc.), que se vestem e se comportam como soldados padronizados, ouvindo os mesmos hinos, usando as mesmas cores, as mesmas tatuagens, piercings, e idolatrando os mesmos pretensos deuses. Achando que estão sendo diferentes, e/ou rebeldes. E o que é pior, vivem enganados, achando que estão sendo “autênticos”.

Se a moda incomoda, porque seguimos escravos dos caprichos da moda? Se a moda é metida a elitista e recheada de marcas que servem para demonstrar quem é quem no mundo social, rotulando pessoas, não seria o caso de deixar de lado tudo isso e nos importamos em sermos inseridos em coisas realmente importantes para nossa sociedade?

Mas agora que já forrei o tecido de sua mente com algo para refletir, deixo para você, jovem leitor(a) de qualquer idade, a tarefa de costurar estes assuntos em seus pensamentos, da forma que quiser, utilizando (ou não) os apetrechos textuais que espalhei por este texto, e assim poder se vestir com novas ideias. Afinal, Tudo que se relaciona à moda, acaba dando muito pano pra manga.

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, o livro impresso está disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou se quiser fazer parte de minha lista de leitores, para receber semanalmente meus textos, basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

Fonte:|.agorams.com.br|

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