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Fotografias revelam personalidade dos governantes do Rio de Janeiro

Danielle Kiffer

 Fotos: Acervo Aperj

     
     Negrão de Lima mantém a formalidade e uma distância
protocolar diante de jornalistas credenciados no Palácio

Fotografias antigas representam registros importantes e podem contar a história de um país pela riqueza de detalhes que trazem. Para Paulo Knauss, historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor-geral do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), essas fotos também podem revelar muito da história política no Brasil. Em seu projeto “Governadores em foco: a construção da imagem dos chefes de governo do Estado da Guanabara e do novo Estado do Rio de Janeiro na coleção fotográfica oficial”, ele analisa a construção da imagem pública de governantes fluminenses.

A partir do material que faz parte do acervo do Aperj, o estudo comparou as imagens dos governadores do Rio no período compreendido entre 1960 e 1999. “Esta comparação nos permite identificar a dimensão expressiva de cada governo. A imagem se define como uma construção social. Embora a tendência seja de imaginarmos essas fotos como neutras ou formais, na verdade, elas expressam personalidades diferentes”, explica Knauss, que é Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ.

Segundo Knauss, é a partir de 1945, no contexto democrático do País, que a prática fotográfica dos governos começa com a afirmação dos conceitos de informação e propaganda e, mais tarde, evolui em direção do conceito de comunicação social. “A foto de propaganda política deixa o formato de ‘santinhos’ e passa a ser mais abrangente dirigindo-se à imprensa, mostrando, por exemplo, notícias e imagens de obras realizadas”, conta.

      
    Chagas Freitas recebe candidatas a Miss Brasil em
clima de informalidade e descontração

A pesquisa estudou negativos, contatos e várias fotos ampliadas, integrantes do acervo do Aperj. “Pelas ampliações feitas, analisamos o processo de seleção de imagens de cada governo”, diz. Para Knauss, um dos pontos mais interessantes do trabalho foi a possibilidade de perceber como cada governo se representava, como cada um construía a imagem do governante e de suas ações de governo. “É possível identificar a personalidade de cada um deles e ver como suas características pessoais se confundem com as marcas de seu governo”.

Certos aspectos das fotografias são bastante característicos, como destaca Paulo Knauss. “Negrão de Lima, por exemplo, que governou o estado de 1965 a 1970, costumava se apresentar nas fotos como um lorde inglês, bem elegante, em trajes e postura formais, mesmo em situações populares. Esse contraste entre sua formalidade e eventos populares forma uma combinação original, bastante expressiva”, exemplifica. Segundo o pesquisador, o governador Chagas Freitas, cuja gestão foi de 1979 a 1983, mostrava-se de forma oposta. “Ele sempre se apresentava em roupas e ternos claros, num tom menos formal, e procurava manter um contato pessoal mais próximo com quem estava por perto. E sorria muito nas fotos”, diz.

Como comenta o pesquisador, percebe-se que as características pessoais são visíveis pela postura de cada um nas fotografias. “Alguns se mostram mais sisudos, como Faria Lima (1975-1979), outros aparecem mais solitários, como Raimundo Padilha (1971-1975). Já Brizola (1983-1987 e 1991-1994) parece procurar se camuflar entre as pessoas ao seu redor.” 

           
      Para o governador Leonel Brizola, qualquer ocasião era de informalidade;
foi um dos primeiros a aparecer sem terno nas cerimônias

Para o historiador, Leonel Brizola é um personagem que merece destaque. “Quando eleito governador no Rio Grande do Sul, ele foi responsável pela institucionalização dos serviços de Comunicação Social governamentais. Acredito que tenha sido o primeiro governador de um estado a não aparecer de terno e gravata nos contatos com o público.” Knauss destaca que outra característica importante de Brizola foi a imensa quantidade de obras fotografadas tanto durante sua gestão no Rio Grande do Sul quanto no Rio de Janeiro. “Suas principais obras foram reproduzidas em fotos aéreas de excelente qualidade”, exemplifica.

O trabalho se desdobra em mais dois projetos. Paulo Knauss está organizando uma exposição com as fotos dos governadores, que será exibida no próprio espaço do Arquivo Público de Estado; e o assunto ainda será tema de um livro, ilustrado com várias fotos do acervo. 

© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

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