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INOVAÇÃO

O erro que dá certo

Maximiliano Carlomagnor
é sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática.


Frequentemente tenho sido questionado sobre como fomentar uma cultura inovadora. Há uma noção inicial de que as empresas que permitem às pessoas correrem riscos são as mais propícias à inovação.

Minha visão sobre o tema é que há um conjunto de elementos organizacionais que impactam a criação de uma cultura de inovação, como estratégia, estrutura, processo e pessoas mobilizadas para tanto. Porém, o erro faz parte da cultura inovadora? Todo erro é positivo? Quando ele é positivo?

O erro faz parte do funcionamento de qualquer organização, seja empresa, hospital, igreja ou museu. Contudo, nos últimos 20 anos, o desafio da gestão tem sido exatamente o oposto: reduzir ao máximo o nível de erros. O método Six Sigma se notabilizou como uma das ferramentas destinadas a esse propósito.

Afinal de contas, queremos ou não errar? O início do entendimento de uma cultura de inovação passa pela compreensão de que existem diferentes tipos de erros e que nem todos estimulam a inovação. Pode-se categorizá-los em duas variações: os erros de gestão e os erros de descoberta.

O erro de gestão, de omissão, da falta de controle de atividades rotineiras e conhecidas não contribui com o processo de inovação. Pelo contrário: se a organização não estiver conseguindo domar sua operação é pouco provável que consiga tempo, recursos e legitimidade para tentar algo inovador.

Por outro lado, o erro de descoberta é aquele contido nas iniciativas que tratam de temas novos, desconhecidos e que não dispõem de parâmetros prévios. Esse é o tipo de erro que faz parte do processo de aprendizado.

O erro de gestão deve ser reduzido, reprimido e, por vezes, penalizado. Ele não contribui com a inovação porque se relaciona com a operação do dia a dia, que requer previsibilidade e controle. O erro de gestão é não intencional, mas produto da disfunção de algum dos componentes do negócio.

Já o erro de descoberta está no coração do que denominamos experimentação, um processo estruturado de redução de incertezas para gestão dos projetos inovadores. Sabe-se que em 95% dos projetos inovadores há uma mudança estrutural em relação à ideia que o originou. Dessa forma, a melhor maneira de acelerar a busca das melhores soluções é errar mais cedo, de forma controlada.

Nesse sentido, o erro de descoberta é intencional. Quanto mais cedo o projeto errar, mais cedo ele gerará o aprendizado necessário para seu refinamento.

Nessas situações, o erro deve ser valorizado. Um dos casos emblemáticos dessa situação é o desenvolvimento do Viagra, que originalmente destinava-se a problemas de cardíacos de hipertensão e angina, e acabou sendo um sucesso na área de disfunção erétil.

Ao juntar diferentes tipos de erros, os gestores perdem oportunidades de inovação ou abrem espaço para a deterioração operacional de suas empresas. Não permitir erros irá obstruir a capacidade de inovação do negócio.

Permitir qualquer tipo de erro comprometerá o estado atual e futuro da empresa. Assim, para se fomentar a cultura de inovação é preciso saber discernir os diferentes tipos de erro e tratá-los da forma adequada.

Fonte: Brasil Econômico.

Maximiliano Carlomagno

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